sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sei de um porto


Sei de um porto de milagre desperto,
A fita do Bonfim e oferta a Iemanjá...
Sei de um rio ao norte d’ouro aperto,
O rubor de almagre e canto de sabiá...

Sei de um leito que abrigou esse amar,
A volúpia de sabá e luxúria de marajá...
Sei de um porto que acolheu esse mar,
O leite de figo em néctar de maracujá...

Esse sonho maduro que liberto,
Essa foz de vida que aperto,
Nesse porto seguro onde me entrego !...
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Vamaloso
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Foto : Google

domingo, 26 de dezembro de 2010

As palavras que dizemos...


Nessas palavras que dizemos em beijos terminam
nessa praia de bocas onde as palavras são conchas...
Nessas palavras que dizemos os corpos germinam
nessa cama em pele onde as palavras são colchas...

Palavras que dizemos em extasy de amor floriram
de nossa húmida terra onde as palavras são loucas...
Palavras que dizemos em clímax de flor respiram
de um grito do ninho onde as palavras são roucas...

As palavras que dizemos...só a dois as dizemos !
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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Olival


Quando o teu perfume me fugiu, a tua leve rama eu alcancei
numa tarde de brisa fresca, nesse olival do nosso instante...
Quando o teu amor me procurou, a tua cesta cheia eu achei
numa tarde de denso incenso, nesse nosso refúgio amante...

Na tua fronteira, só uma doce oliveira com a mais bela flor
à minha beira...
Na minha lareira, só um terno baloiço com o perfeito amor
da tua eira !

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Vamaloso
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Foto : Google

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jardim de domingo


Sei de um jardim, um bonito jardim,
Sol quente da manhã de domingo
Ainda dorme e espera por mim...
Ainda dorme e sonha comigo...

Tenho um jardim, que me floresce,
Canto do pássaro, cheiro da flor,
Que no seu prado uma rosa cresce...
Que o seu chilrear é de amor...

Um domingo de ternura,
num leito de enfeite...
não se pede nem se jura...

Um jardim para os dois,
numa esplanada de deleite...
no meio do antes e do depois...

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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cálice


Trago em mim intermináveis lareiras,
Trago em mim os incansáveis anseios,
Trago em mim as noites sem barreiras,
Mais um trago, de eternos devaneios!

Sem ti meus lábios as meras fronteiras,
Sem ti meus olhos de ínfimos a alheios,
Sem ti minhas mãos não sobem ladeiras,
De um só trago, de desejos tão cheios!

Sempre a ténue luz que baloiça na parede...
Líquido embriagante entre os meus dedos...
Sempre a hora desperta de trapézio sem rede...
Cálice ardente revelando os meus segredos!
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Vamaloso
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Foto : Google

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Beijo ou Galho !


Não sei de um abraço sem um peito
ou de uma árvore crescer sem galho,
Não sei de um ribeiro sem um leito
ou de um inocente beijo sem atalho.

O galho que se tira e que se atira
só dói uma vez e o voo faz parte,
O beijo que se rouba e que se gira
só dói o primeiro e o sonho é arte.

Atrás de um galho sempre cresce novo galho.
Detrás de um beijo sempre nasce renovado beijo.
Frente da mesma seiva, de querer..., beijo ou galho !

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Vamaloso
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Foto : Google

domingo, 24 de outubro de 2010

Pétala



Uma pétala caiu desse canto de água
como folha de Outono que desmaia,
Uma pétala percorreu tez de frágua
ficou pendente dessa concha catraia.

Uma pétala gelou o frio do sentimento
como moinho de vento sem a semente,
Uma pétala ecoou todo o pensamento
sobrou palavra da gota que não mente.

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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 23 de outubro de 2010

Aurora



Numa bolina sem sentido a desmaiada proa chorou
o momento sem rasgo de luz do inventor da hora,
sem ré perdeu porto e encalhou quina no que amou.

Num banho inesperado de resplandecente aurora
uma colher da alma num charco de mágoa secou,
a cicatriz cura no tempo quando a dor se evapora !

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Vamaloso
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Foto : Google

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Era Fútil


Que fútil a guerra sem sentido
que se esconde e não é herói,
Qualquer compaixão seria abrigo
da ilusão que não se destrói.

Que fútil a morte sem dor
que se ignora e não dói,
Qualquer amor seria traidor
da saudade que não se mói.

Que fútil a vida sem caroço
que se consome e não constrói,
Qualquer árvore seria esboço
do âmago que não se rói.

A Era Fútil,
Qualquer mudança seria útil
da esperança que não se corrói !

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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nosso mouchão ( em Lisboa )


Nosso mouchão confluente,
as suas colinas e um castelo no alto
as suas ruas e um terreiro intemporal
nosso chão de oriente a ocidente…

Nosso mouchão confidente,
do teu veio doce de planalto
do meu veio tempero de sal
nosso chão de nascentes e poentes…

Nossa varanda de ternuras,
miradouro num quarto de pinturas
adormecemos quando acorda Lisboa.
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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 4 de setembro de 2010

Sonho


Nunca saberei a que horas chegas
sempre tarde quando te quero cedo,
Sempre vens e sempre aconchegas
nunca partes sem mais um segredo.

O meu sonho é árvore em vaga de um poema,
espuma viva que beija terra e planta um verso!

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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 21 de agosto de 2010

Ser contra natura


É contra natura
Todas as minhas leis de esforço,
Porque sei da lei das coisas da vontade
Pode ser mais que física…

É contra natura
Todos os meus amores de façanha,
Porque sei do amor das coisas de verdade
Pode ser mais que química…

É contra natura
Todas as minhas belezas efémeras,
Porque sei da beleza das coisas na idade
Pode ser mais que idílica…

Ser contra natura
Por vezes escrita conscientemente…
É a minha natureza pura
Ás vezes proscrita simplesmente…

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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dança da noite


Dança de sonhos que despertam, que elevam…
Árvore dos contos, seiva da memória em folhas,
Sombras libertas na noite, páginas que navegam…
Tronco dos ensejos e os meus ramos são ondas!

São espaço livre do que existe de mais profundo…
Esse olhar, o teu, que me leva numa dança louca,
Sem sonhos não dançaria estrela no meu mundo…
Esse sol, no meu sonho vem da lua da tua boca!

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Vamaloso
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Foto : Google

domingo, 8 de agosto de 2010

Eram pedras...


Era um corpo de pedras vítreas refrescantes
nesse teu olhar onde sede ficava só comigo,
Era uma catapulta de pedras toscas errantes
nessas palavras que não acertavam contigo.

Era o espelho de pedras indelével esculpido
nesse teu rio que fugia sempre para o mar,
Era um colar de pedras invisível esquecido
nessas contas acordei sem o fio para amar.
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Vamaloso
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Foto : Google

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O meu mundo


O meu mundo tem sempre uma vela acendida
entre paredes na sombra ínfima do meu pensar,
O meu mundo tem no seu silêncio uma guarida
entre segredos na alcofa íntima do meu amar.

O meu mundo tem sempre um livro entreaberto
entre folhas da estação perpétua da tua imagem,
O meu mundo tem o seu oásis em pleno deserto
entre tragos de espírito líquido da tua miragem.


O meu mundo tem sempre mais uma noite !


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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 2 de julho de 2010

La Esperanza


La Esperanza, es como la ilusión
Quiere esperarte y tu descubrir,
Y es como el corazón
Quiere amarte y tu recibir,
Y es como la canción
Quiere cantarte y tu sonreír.

A Esperança, é como uma ilusão
Quer esperar-te e tu descobrir,
E é como um coração
Quer amar-te e tu cobrir
E é como uma canção
Quer cantar-te e tu rir.
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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 19 de junho de 2010

Na rua



Na rua…

Sinto-me perdido e me encontro
Onde tu não estás
É este o meu tempo e não outro
Onde não volta atrás

Embrenho-me em passeios de gente
Onde não me vejam
A lágrima talvez chuva mais decente
Onde passos trovejam

Tento esquecer num voraz caminho
Onde pareces vertigem
Nesse mar das gentes fluir sozinho
Onde escondo origem

Anónimos que se vê e que não se conhece
Onde nos cruzamos
Em cada um e em todos uma vida acontece
Onde nos encontramos

Na rua...

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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 12 de junho de 2010

Baloiço



Rasguei o céu, nesse baloiço achado,
suave movimento de balanço em tecto espelhado,
Quando o corpo vai leve num impulso mais alto…

Que a minha vida em ti baloiça,
Que se não o disser, que o teu coração oiça,
Quando a paixão for breve num amor mais alto…

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Vamaloso
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Foto : Google

domingo, 18 de abril de 2010

Ondas ( os teus lábios )


São uns sensores de verdade
teus lábios sinceros em mim,
São alimento duma saudade
em vagas de quente carmim.

Os teus lábios minhas ondas
são nus e crus para afundar,
Sempre altivas essas ondas
são para entrar e mergulhar.

Se eu por mim em ti naufrago
acolhes-me numa duna macia,
Se eu por mim em ti me alago
teus lábios do sorriso à alegria.

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Vamaloso
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Foto : Google

domingo, 4 de abril de 2010

Um Amor ( Puro Fado )


Um amor bateu com a porta
bateu com força em segredo,
Saiu quando não era a hora
fugiu no silêncio com medo.

Um amor esqueceu a chave
esqueceu de entrar a sorrir,
Lançar um perfume suave
abraçar e um beijo a florir.

Um amor eterno é puro fado
eterno da viola e da guitarra,
Canção da vida é lado a lado
amor de dois feito com garra.

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Vamaloso
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Foto : Google

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Se tiver de Ser


Se tiver de ser serei estrela
já ali no centro do universo,
ser o ponto de luz sentinela
na noite dessa paz submerso.

Se tiver de ser serei pássaro
dali de cima dono do vento,
ser asa sombra de ver claro
a beleza dos dias suspenso.

Se tiver de ser serei diamante
daqui do chão centro da terra,
ser lapidado num anel amante
em brilho que o amor encerra.

Se tiver de ser serei que seja eu
de viver aqui não se me esqueça,
ser esse humano afinal não doeu
se tiver de ser que volte depressa.
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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Olhar (O Teu)


O olhar que olha e que quer ser olhado
nos braços que abraçam amor abraçado,
O beijo que beija e que quer ser beijado
o sorriso da boca em olhar bem fechado.

Sempre o teu olhar o principal culpado
que me enreda nesse beijo entrelaçado,
Sempre o teu olhar e afinal doce recado
certa labareda de puro amor reclamado.
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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 19 de março de 2010

Barcos de Papel


São mais que simples barcos de papel
que levam todas essas minhas crenças,
Lanço um e mais outro num mar de fel
de palavras em ondas de recompensas.

Barcos escritos para teus olhos de mel
que navegam e se afogam em conforto,
Lanço um num sopro de flauta de sisel
cumpre papel encalhando no teu porto.

Letras as tábuas são remos das palavras
que fazem de frases sentidas a sua vela,
Altivos nas ondas de espuma que lavras
cada meu barco de papel a tua caravela.
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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 13 de março de 2010

Neve em Barcelona (8 Março de 2010)


Pena de pomba branca brincando com o vento
beijando a minha janela escolheu ficar e sorriu,
Penas brancas despertavam a cidade ao evento
rodopiando as gentes como nunca ninguém viu.

Dia da Mulher o mais perfeito vestia Barcelona
escrita no branco das ruas momentos de poemas,
Olhar cúmplice em todos um sorriso que abona
frios flocos neve que contarão em quentes temas.

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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 12 de março de 2010

A Ilusão


Sei que tudo não passava de uma mera ilusão,
a ilusão de não poder sair da tua negra cartola.
O dia era véu negro nas grades de uma gaiola,
e esperei na luz da noite para voar da tua mão.
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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Limite


Aquele lugar até ao limite era aconchego
desperto no crescer pelo múltiplo sonho,
Ao sabor do batimento a voz era sossego
naquela bolsa mágica de líquido risonho.

Solto ao ar ao limite nas barras do berço
certo choro no pequeno mundo suspenso,
Segura coragem pano de fralda em lenço
a surpresa das coisas e cores em ascenso.

Pés no chão ao limite dessa terra de terço
sorte corrida de lés a lés em voraz apetite,
Existe nesse espaço a viagem que mereço
porque o limite está dentro doutro limite.
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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sigo de Viagem


Às vezes existe a simplicidade numa margem
quando tudo é incerto na necessária coragem,
Poderia ser simplesmente mais uma passagem
ainda guardo o teu bilhete mas sigo de viagem.

Às vezes existe o arrepio que vem da aragem
quando a lágrima desliza  mas seca selvagem,
Poderia ser somente engano numa carruagem
ainda guardo o teu lugar  mas sigo de viagem.

Às vezes existias tu e eu  sem a maquilhagem
quando tudo era céu e a cores sem barragem,
Juntos o balão de ar quente de cada miragem
ainda guardo o teu sopro mas sigo de viagem.


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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Essencial


O essencial estava na folha de brancura
para trás ficam páginas de mil palavras,
Impasse transparente final da aventura
e libertador de todas as letras escravas.

O essencial estava nesse vazio indeciso
por tanto querer dizer mas não escrever,
Passe conduto para o vocalizar conciso
e salvador de toda a timidez do querer.

O essencial estava no sentir apreendido
bastava verbalizar nesse passo abismal,
Desenlace corajoso claramente decidido
e dizer-te que de tudo tu és o Essencial.
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Vamaloso
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Meu Coração


Meu coração
de bússola meu eixo
noite e dia
mar de rosado vento,
Aponta agulha
altiva meu queixo
zarpa procura
de quente alento.

Meu coração
de água meu seixo
molde e cunha
ar de amor perfeito,
Alonga peito
sonora meu freixo
tarda o íman
do cedo imperfeito.

Meu coração
polar e cadente,
Meu coração
estrela e sente !

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Vamaloso
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Fado discreto



Calçada quente na noite da viela
ao seu passo tremido no incerto,
Esquina candeia de aberta janela
ser o fadista nesse canto discreto.

Á voz rouca gemeram as cordas
um som do nada e tudo concreto,
Aos seus dedos pararam as horas
á guitarra e viola de fado discreto.

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Vamaloso
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Foto : Google

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A minha pedra, pedrinha



A minha pedra, pedrinha
no meu calço apertadinho,
não pedi que fosses minha,
quando entraste no caminho.

A minha pedra, pedrinha
neste meu percalço de vida,
sei que te levei em moínha
quando foi longe a corrida.

A minha pedra, pedrinha
no meu descalço esquecida,
fiquei no olhar de chuvinha
quando um dia te vi perdida.

A minha pedra, pedrinha
alço o meu pé no larguinho,
serás do meu passo a rainha
quando entrares de mansinho.

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Vamaloso
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sábado, 30 de janeiro de 2010

Voltar a Rir




Se és agora capaz de voltar a rir
ver o outro sentido no que se diz,
Se és agora capaz de deixar-te ir
num outro caminho para ser feliz.

Quando a mente sem dique é rio
capaz é de desaguar só por sorrir,
Quando a alma que ligue é o fio
capaz é de desabrochar por florir.

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Vamaloso
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sábado, 23 de janeiro de 2010

Corrida de Fé



Não me serve curvar sem uma recta
curvo por uma cruz na fé de capelas,
Não me serve vencer sem ver a meta
corro com as portas e vivo de janelas.

De que serve amar se não te abrigas
amar todas as partes para ser inteiro,
De que serve contar se não acreditas
conto que não é falso ser verdadeiro.

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Vamaloso
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Foto : Google

domingo, 10 de janeiro de 2010

Com um pouco de arte



Com um pouco de arte podia encontrar-te
naquelas noites vividas perdida sem mim,
Com um pouco de arte podia iluminar-te
daqueles longos dias cinzentos e sem fim.

Desenhei-te sol e flor em aroma de jasmim
ser teu dia teu cale com um pouco de arte,
Adornei-te lua e pétala em cama de jardim
ser tua noite teu vale com um pouco de arte.

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Vamaloso
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Foto : Google

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Fajã


Reluzente laranja e por raios os seus gomos
iluminou a minha fajã com todo o esplendor,
Cultivadas raízes e por tecto os seus colmos
sonhou alto nessa rocha chã de poeta pintor.

Banco de lava por cor de beira-mar pincelada
vidra natura a escultura num azulejo multicolor,
A quente sede por foz de ribeira na ideia alada
esculpe vulcão pedra na terra de poeta escultor.

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Vamaloso
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Foto : Google

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Felicidade , o que é ?



Dizes que a felicidade vem do sopro de vela
que arrebata alto o barco na onda do desejo,
Apago a chama das velas mas corro a janela
impedir fuga aos desejos na falta de traquejo.

Dizes que a felicidade vem do sorvo da baga
que brota a alma da videira na poda do ramo,
Afago nos líquidos da vida mas solto a vaga
cumprir cada dia com mais um dia cada ano.
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Vamaloso
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